Esse é o bicho que queremos domar....


A complexidade da vida
Falar sobre complexidade é tão complexo (eu preciso parar com esses trocadilhos) que é realmente difícil achar um conceito que não deixe de mencionar algo importante. Só pra começo de conversa, quase toda ciência formal possui uma definição própria para o termo complexidade. Mas este blog está interessado naquela complexidade que influi na vida, que é responsável pelo caos diário e que quando superada produz seres melhores ou no mínimo, um pouco mais inteligentes, esse é o bicho que queremos domar.

Nesta perspectiva, complexidade tem a ver com trama, com tecido relacional, com um contexto de opções que segundo Sérgio Krupatini¹ tem algumas características importantes: mudança rápida e inesperada, instabilidade dos equilíbrios, impossibilidade de saber o futuro, novos participantes e insuficiência dos focos tradicionais para resolver problemas.

Meu professor de Sociologia resumia o parágrafo acima com uma frase que para seus alunos se tornou um clássico: “Estamos em crise, o futuro é incerto e o passado não serve pra resolver os problemas do presente.”.

Como eu já havia dito em um texto anterior, a complexidade é o motivo primeiro para a existência de quase todas as coisas legais do nosso tempo e também por quase todo o lixo cultural do dia-a-dia. Ocorre que nessa rede onde os nós fundamentais são pessoas em busca de sentido e relevância para suas vidas, as soluções criadas para resolver os problemas da complexidade são apenas externas. A cada dia são criadas ferramentas, matrizes, normas, princípios básicos, padronização, simulação, softwares e um monte de parafernália do tipo “como fazer” ou “Dez dicas para”, coisas que só tratam de situações práticas, pontuais e de curto prazo, bem ao estilo "seus problemas acabaram" das organizações tabajara. São apenas formas que encontramos para achar que dominamos a situação com rapidez.

A complexidade que tratamos aqui tem mais a ver com situações internas ao sujeito do que com as coisas práticas, tem a ver com a forma como as pessoas tomam decisões. Acho essa abordagem mais importante porque a complexidade desafia nossas crenças, pressupostos e nossa visão de mundo. E esse é o momento em que te pergunto: diante da complexidade que lhe é inerente há oportunidade de aprendizado, de sobrevivência, de desenvolvimento?

Como bom curioso, essas são questões sobre as quais eu quero saber tudo, mas saber tudo não é algo pra hoje, continuarei esse devaneio outro dia....


1 - Diretor da OMN Systemic Strategy, firma de consultoria especializada em processos de desenvolvimento organizacional, com operações na América Latina e na Espanha. Seu foco são estratégias baseadas na complexidade, no pensamento sistêmico e nas simulações.

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